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Uma experiência européia
O ano foi 2002. Estava a bordo de um buzum saindo da Alemanha em direção à Áustria. Na estrada, houve um pequeno acidente e ficou tudo parado. Quarenta minutos de total silencio, nenhuma buzina se ouvia. Na pista, completamente engarrafada, uma faixa dupla à direita e um vazio separando uma outra faixa à esquerda. No vazio, vinham ambulâncias e viaturas policiais. No acostamento, nenhum veículo...
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Uma hora e meia depois, cheguei ao meu destino: Wiesen, um lugarejo austríaco. A tranqüilidade da noite era de assustar. Eu e quatro integrantes da minha banda (Funk'n lata) caminhávamos à procura de um cantinho para comer e beber algo. Era domingo e já passava das 11 da noite. Vez em quando, alguém cruzava o nosso caminho tendo um cão como companhia. Encontramos um barzinho (chique) aberto e entramos. Ninguém se assustou com a presença de cinco neguim àquela hora da noite. Eu deveria achar isso normal, mas confesso: Estranhei...
No dia seguinte, lá pelas 3 da tarde, cheguei ao local do evento. A organização era perfeita, tudo funcionava. De cara, me deparei com um quadro negro com os horários em que cada banda iria se apresentar. Nós seríamos a terceira banda, e o horário estipulado foi rigorosamente cumprido...
Cada banda tinha o seu camarim abastecido com o que fora pedido e havia um espaço comum a todas as bandas, com pratos quentes (deliciosos), café, chá, vinhos, cerveja e refrigerantes. Também havia uma área para banho. Dei um rolé pela área reservada ao público e foi aí que caí de quatro. Era um descampado que ia subindo morro acima. A mata ia se fechando. Entre as árvores, várias redes entrelaçadas. Um luxo! No chão, vários tapetes, colchonetes e lençóis... Impressionante também era a quantidade de barracas de camping ao redor do local do evento. Um formigueiro! Pessoas indo e vindo com seus cabelos, roupas, tatuagens... Um espetáculo! A liberdade estava estampada nos quatro cantos. Casais com crianças de 2 a 12 anos circulando tranqüilamente em meio a tanto "baseado" e nenhuma preocupação com a violencia... E, também, nenhuma repressão...
Nunca vi uma coisa dessas! Não me deparei com nenhum brutamontes fazendo a tradicional segurança. Os bares tinham as filas mais tranqüilas que já presenciei. As saídas (ausgang) eram bem sinalizadas, mas o maior impacto que tive foi ver na área próxima ao palco um lugar destinado aos portadores de deficiência física. Tinha uma rampa e era bem sinalizada. Lá, só estava quem realmente tinha que estar. O local estava superlotado, porém, a área destinada aos portadores de deficiência não foi invadida...
Um dia poderemos também dizer que estas coisas acontecem no nosso País... Eu quero mais Brasil! |